sábado, 14 de junho de 2008

Sobre Portugal

Frases retiradas do livro de Eça de Queiroz "A Correspondência de Fradique Mendes".


“…Mas além disso Fradique Mendes trabalhava um outro filão poético que me seduzia – o da Modernidade, a notação fina e sóbria das graças e dos horrores da Vida ambiente e costumada, tal como a podemos testemunhar ou pressentir nas ruas que todos trilhamos, nas moradas vizinhas das nossas, nos humildes destinos deslizando em torno de nós por penumbras humildes…”

…”E, entre estes motivos de esplêndido simbolismo, lá vinha o quadro de singela modernidade, as «Velhinhas», cinco velhinhas, com xales de ramagens pelos ombros, um lenço ou um cabaz na mão, sentadas sobre um banco de pedra, num longo silêncio de saudade, a uma réstia de sol de Outono…”

A Lua da Tristeza

Ó lua distante, toda da tua beleza

São sorrisos de tristeza!

Por ti morro, quantos falsos beijaram,

Quantas almas em graça ficaram!

Quantos anjos acabam sem voar

Para que ficasse vosso, o luar!


Será a lua? Tudo é a lua

Se a porta não é a rua.

Quem quer soltar a verdade do poeta

Tem que atravessar os enigmas da descoberta.

Ele ao céu a esperança e a certeza confiou,

Mas dele é a alma que a folha decifrou.


terça-feira, 6 de maio de 2008

Crónica sobre a Revolução dos Cravos

"E depois do adeus" cantado Paulo Carvalho. Senha para o início das operações militares a desencadear pelo Movimento das forças Armadas, foi dada aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa, a cinco minutos das vinte e três horas do dia 24 de Abril de 1974. Mas, ao contrário do refrão da canção não mais ficámos sós.
Passados vinte minutos do começo daquele dia glorioso, a transmissão da canção " Grândola Vila Morena" de Zeca Afonso, na rádio Renascença é a confirmação de que as operações militares estão em marcha e são irreversíveis.
O povo sai à rua para saudar a chegada da liberdade e da democracia e também da dignidade perdida, depois de meio século de opressão e medo.
A revolução dos cravos desencadeada pelos Capitães de Abril, tirou Portugal do obscurantismo a que esteve sujeito pelo regime fascista de Salazar e Marcelo Caetano, o povo português acordou nesse dia da anestesia a que esteve submetido durante décadas de sofrimento, de guerra colonial, de atraso económico e cultural. Regressam as liberdades de opinião, de expressão e de imprensa, fala-se sem medo de ser punido por aquilo que se diz e pensa, sem medo de ir para os calabouços da policia política (PIDE) e de ser torturado.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Crónica sobre a violência nas escolas.


Ultimamente somos alertados para o problema da indisciplina nas escolas.

Este problema, acontece envolvendo alunos, professores e funcionários.

Sempre houve indisciplina nas escolas, recentemente mais visível e patente. A desobediência, as distracções, o incumprimento de regras piorou bastante. Podemos apontar culpados? Todos o somos, professores, alunos, auxiliares, encarregados de educação.

O desenvolvimento da sociedade trouxe por arrasto este tipo de comportamento. Antigamente as crianças brincavam na rua, hoje brincam em casa. Distraem-se em frente à televisão, à playstation, e ao computador. Os pais passam muito tempo fora, deixando os filhos sozinhos. Depois compensam-nos erradamente, fazendo-lhes as vontades. Obtendo qualquer coisa, sem esforço, fomentando a noção de facilidade.

O conceito de liberdade não foi bem assimilado, A liberdade individual acaba quando começa a do outro.

Os jovens vão construindo uma identidade própria de forma distorcida. Traduzindo-se num comportamento violento, que pode ser chamado de frustração. Interiorizada pela forma como são tratadas pela sociedade onde vivem. Para quê o esforço de estudar, tirar um curso? Com a taxa de desemprego que existe no país?

De que forma estão bem estruturados os conteúdos das matérias?

A resolução deste problema está longe de ser resolvida. Cada dia há mais desmotivação. O recente estatuto do estudante, é um dos muitos exemplos. Quanto aos professores, as difíceis condições não permitem um feliz desfecho.

segunda-feira, 10 de março de 2008

A nossa relação com os "mass media"

Crónica sobre a influência dos "mass media" na formatação da opinião pessoal

Ler um jornal ou uma revista, ver televisão, ou ouvir rádio passou a ser um acto banal nas nossas vidas. Um acto que nos liga ao mundo, que nos permite viajar no conforto do nosso sofá, sem que, por vezes, tenhamos consciência da sua influência nas nossas vidas e no modo como encaramos a sociedade. Mas até que ponto não desejamos ser seduzidos e enganados na esperança de ver surgir diante dos nossos olhos uma realidade que sabemos não existir e que nos faça esquecer por momentos o mundo trágico onde vivemos? Seremos capazes de decidir e discutir livremente? Permitimos que tudo, quanto ouvimos e lemos repetidamente se torne numa verdade conformista, capaz de nos fascinar e manipular de maneira perigosa, acabando por determinar o nosso comportamento?
Porque as influências estão sempre presentes, tanto no bom como no mau sentido, não devemos permitir que os media assumam o papel de educador e que apenas nos informem e divirtam, cabendo-nos o dever de não nos deixarmos alienar.

domingo, 20 de janeiro de 2008

No meu sonho

No meu sonho
tu eras real
a tua beleza atormentava-me
No meu sonho
não me mentias, não me traías
falavas-me do futuro
e que poderíamos ser felizes
No meu sonho
a tua juventude
preenchia o mundo
No meu sonho
o teu rosto não era apenas luz

domingo, 13 de janeiro de 2008

A Poesia

A poesia é uma forma de arte que demonstra a beleza e o rigor da escrita, utilizando a linguagem humana através de versos.
A poesia é um estado de alma, na medida que exprime sentimentos e emoções de quem os escreve e os desperta em quem os lê. Por vezes não é fácil compreender a poesia, pois muitos autores são pessoas sofridas (muitas delas pondo termo à vida como Florbela Espanca) e transportam para a escrita toda a sua frustração e emoção, inventando novas palavras, formando neologismos.

Para mim, essencialmente, a poesia exprime um grande sentimento de liberdade em que o imaginário e o real se cruzam, onde os poetas através da sua audácia nos revelam uma nova realidade que nos faz ter outra consciência do mundo e nos faz desejar comungar da fraternidade que nos desperta a poesia.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Carta ao PR

Exmo. Sr. Presidente da República

Excelência


Chamo-me Inês Esperança, tenho 14 anos e sou estudante do 10º ano na Escola Secundária José Loureiro Botas em Vieira de Leiria.

Gostaria de lhe falar da minha terra, Praia da Vieira de Leiria, retratada no livro “O Crime do Padre Amaro” de Eça de Queirós.

A Praia da Vieira juntamente com S. Pedro de Moel pertence ao concelho da Marinha Grande, é banhada pelo Oceano Atlântico, foz do rio Lis e fica em pleno coração do pinhal de Leiria. A Praia da Vieira é uma terra de gente acolhedora que recebe muitos turistas, principalmente nos meses de verão, que são atraídos pela simpatia das suas gentes, pela praia e pelo ar puro do pinhal, continua-se a praticar a arte xávega, ancestral actividade piscatória que se hoje tem um papel secundário no sustento do seu povo, foi no princípio do século passado uma das suas principais fontes de sustento.

Hoje em dia as suas gentes trabalham nos mais variados sectores, mas num passado recente trabalhavam essencialmente na indústria vidreira e metalúrgica em Vieira de Leiria, nomeadamente na Fábrica de Vidros Dâmaso e Empresa de Limas Tomé Feteira, a primeira recentemente fechada e a última com poucos trabalhadores actualmente. O turismo de verão faz minimizar a falta de trabalho para as suas gentes.

Os fogos florestais, que no ano em que aconteceram me fizeram viver verdadeiros momentos de medo, juntamente com a poluição do rio Lis, são problemas desta terra que espero ver resolvidos com políticas ambientais cada vez mais exigentes, mas o problema que mais me preocupa é o desassoreamento do areal da Praia da Vieira. Todos os anos no Inverno quando o mar se faz bravo o areal quase desaparece, algumas construções como esplanadas muito usadas pelos turistas no verão estão sempre em risco de derrocada e o mais grave é que poderemos a curto prazo ficar sem praia. Estudos anteriores e promessas feitas pelos políticos prevêem a construção de um esporão a sul da praia, que viria salvar a Praia da Vieira. Os políticos que têm vivido este problema dizem não haver verbas para a sua construção.

Os mais antigos contam, e também já vi em algumas fotos antigas, casas a serem levadas pelo mar aqui na Praia da Vieira.

Perante esta preocupante situação gostaria que visitasse a minha terra, no Inverno, para verificar o problema que lhe conto e com a visita de V. Exa. alertar quem tem a capacidade de resolução.

Respeitosamente.

Inês Esperança.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Comentário à frase de Daniel Pennac.

"O verbo ler não suporta o imperativo. É uma aversão que compartilha com outros: o verbo amar... o verbo sonhar..."


As pessoas usam a leitura de diversos modos, para se manterem actualizadas, por prazer, para aprender, e até porque são obrigados nas escolas.
Daniel Pennac escreveu esta frase a pensar nas pessoas que como eu, não gostam de ser obrigadas a ler, escreveu esta frase que explica que por mais que as pessoas possam ser obrigadas a ler, nunca vão aprender realmente o que é ler, é como se nos obrigassem a sonhar, podem fazê-lo mas nunca vamos sonhar.
Por vezes as pessoas pensam que obrigar os outros a ler é para o seu bem, mas, nem sempre, isso acontece. É como obrigar uma pessoa a amar outra, só deixa dentro dela uma raiva enorme, e deseja nunca mais amar ninguém. Na leitura, quando isso acontece, é de nunca mais voltar a ler.
A leitura deve ser espontânea, o livro deve prender o leitor, só assim o que lemos nos pode fazer sonhar.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Resumo do livro "Boneca de Luxo" de Truman Capote

A história de Holly Golightly, uma jovem provinciana do Texas, que parte para Nova Iorque à procura de luxo e de luxúria, é-nos narrada por um escritor amador seu amigo, “Fred” (Holly chamava-lhe assim por lhe fazer lembrar o seu irmão Fred), quando este tem conhecimento através do amigo comum Joe Bell, dono do bar que costumavam frequentar, de que Holly poderia estar em África. Depois de alguns anos sem saber notícias dela, “Fred” é desperto pelas memórias de Holly.

As vidas de “Fred” e Holly cruzam-se na altura em que são vizinhos, num prédio nos East Seventies, Nova Iorque.

Holly “com um rosto para lá da infância, mas para cá de pertencer a uma mulher feita”, tinha na altura 19 anos e o seu sonho era casar com alguém que a tornasse rica e famosa, enquanto ia levando uma vida boémia, rodeada de homens que a sustentavam, alguns seus amantes, vivendo no entanto sem grande luxo na companhia dum gato. Se por um lado procura uma vida mundana que a faz deslumbrar com uma ida ao Tiffany´s (salão fino de Manhattan), onde cura as doenças da alma que a torturam, “não há nada de realmente terrível que nos possa acontecer ali, com aqueles homens de fatos janotas e o cheiro fantástico da prata e das carteiras de crocodilo”, por outro lado não resiste a cantar e tocar viola quando a nostalgia do campo aparece.

Foi numa noite fria de Setembro que os dois se aproximam, quando Holly entra no quarto de “Fred” pela janela, para fugir ao “mais horrível dos homens” que se encontra em sua casa. Nessa noite “Fred” lê-lhe uma história que escrevera, e Holly conta-lhe que é paga para visitar um velhote na prisão, chamado Sally Tomato, por quem se afeiçoou e de quem traz mensagens para o advogado.

A partir daí a amizade entre eles cresce, e “Fred” conhece alguns dos homens que a cortejam como O. J. Berman e Rusty Trawler, este último acaba por casar com Mag Wildwood, com quem Holly tinha dividido o apartamento. Depois deste episódio Holly engravida do brasileiro José Ybarra-Jaegar (ex noivo de Mag), que promete casar com ela e levá-la para o Brasil.

A amizade e empatia que sentiam um pelo outro ia crescendo. Passavam muito tempo juntos, falavam da infância um do outro. Festejaram um Natal juntos, em casa de Holly, onde havia uma árvore enorme decorada com balões que esta tinha roubado, “Fred” ofereceu-lhe uma medalha de S. Cristóvão comprada no Tiffany´s e Holly presenteou-o com uma gaiola que tinham visto num antiquário.

Um dia “Fred” é abordado por um homem que julga ser o pai de Holly, mas fica atónito quando ele lhe diz que é seu marido e que veio do Texas à sua procura. Doc Golightly conta a “Fred” que ela tinha catorze anos quando casaram em 1938, depois de lhe ter dado guarida a ela e ao irmão, quando eles apareceram em sua casa, esfomeados. Holly tinha prometido que tomava conta dele e dos seus filhos, mas passado tempo fugiu deixando-os a todos com o coração destroçado.

Doc encontra-se com Holly, mas esta convence-o a voltar para casa sem ela. “Não podemos confiar o coração a um animal selvagem…”, foi aí que Doc errou ao confiar nela que era como um animal selvagem, com um grande coração. “… preferia ter cancro a um coração falso”, disse um dia.

Mais tarde Doc informa Holly que o seu irmão Fred tinha morrido na Guerra, deixando-a devastada com a notícia, ao ponto de ser socorrida por um médico devido a um ataque de fúria. Durante uns meses Holly refugiou-se em casa, tendo sido nessa altura que José Ybarra-Jaegar se muda para casa dela. No entanto não perdera o interesse pela vida e parecia mais feliz do que nunca. Quando Ybarra se ausentava, Holly e “Fred” passavam muitas tardes juntas, caminhando por Chinatown, contemplando os barcos na Ponte de Brooklyn, não era preciso falar muito, porque tinham uma tal empatia, que muitas vezes um silêncio afectuoso dizia mais que mil palavras.

Um dia, quando Holly está em casa de “Fred” a cuidar dele depois duma aparatosa queda de cavalo, são surpreendidos pela polícia que leva Holly para a esquadra.

A sua foto aparece então nas primeiras páginas dos jornais: “Círculo da droga a nu, jovem acompanhante presa”. Holly tinha sido presa por alegadamente estar envolvida num negócio internacional de contrabando de droga relacionado com Sally Tomato. “Fred” entra em contacto com O. J. Berman para que este lhe arranje um advogado, que a consegue libertar.

Mais tarde quando “Fred” a visita no hospital, onde ela se encontra por ter sofrido um aborto, entrega-lhe uma carta de José Ybarra-Jaegar a acabar com o namoro e a despedir-se. Mas, Holly não desanima e diz a “Fred” que se vai embora para o Brasil, aproveitando a reserva de avião feito por Ybarra. “Fred” tenta em vão demovê-la, mas ela não desiste até porque tem a consciência tranquila em relação ao seu envolvimento com Tomato.

Depois de “Fred” se ter encarregue de ir a casa dela buscar as suas coisas e o gato, despedem-se no bar de Joe Bell.

A imprensa noticia tanto o seu desaparecimento como mais tarde a sua presença no Rio de Janeiro. O assunto acaba por cair no esquecimento, uma vez que não foi recambiada pelas autoridades e só voltou a ser recordado quando Sally Tomato morreu.

Muito mais tarde “Fred” recebe um postal de Holly: “O Brasil foi um horror mas Buenos Aires é do melhor que há. Não é bem o Tiffany´s mas quase…” e que lhe mandaria a morada definitiva assim que encontrasse casa, mantida por um homem casado com sete filhos.

Mas a morada nunca chegou para tristeza de “Fred” que tinha algumas histórias para lhe contar, a principal é que tinha mantido a promessa de encontrar o gato que ela abandonara e a quem nunca tinha dado nome, “Mas eu não tenho qualquer direito de lhe pôr um nome: vai ter de esperar até pertencer a alguém. Nós apenas nos encontrámos um belo dia à beira-rio, não pertencemos um ao outro; ele e eu somos independentes”.